Eleger uma maneira criativa
de contar sobre a nova temporada de vida que se estabelece parece uma tarefa impossível,
não porque seja complicada de narrar, mas porque me falta ainda empatia suficiente
para refletir a respeito. Hoje as emoções vêm e vão. Leves, pesadas.
Conturbadas, especificas, desconhecidas.
Compreendo essa peripécia da
vida como um porta que se abre e que leva à experiência genuína do dia após dia
de uma luta solitária em busca do amadurecimento.
É isso. Crescer. Talvez esse
seja o principal intento dessa página que se abre, branca e imprevisível.
A solitude arrumou a casa
para o momento, muitas vezes adiado, em que as culpas, os medos, os erros e as
responsabilidades terão seus significados questionados.
A sensação de derrota pelo tempo desperdiçado em rotinas inconscientes costuradas pelas linhas firmes do comodismo, sempre visita a casa no final de um dia difícil. É uma companhia assídua.
"Eu deveria ter sido eu
há muito mais tempo". Eu sempre julguei o remorso como a pior sensação
existente na face da terra. Eu posso seguramente dizer que eu estive enganada.
A sensação de ter desperdiçado a juventude sem ter realizado nada realmente
relevante é como uma pequena morte várias vezes ao dia.
Você não acorda um dia
simplesmente disposto a encarar o mundo. A maior parte da vida está mergulhada
no comodismo. Mas no dia em que se acorda do sono lânguido (queria usar essa
palavra de um jeito ou de outro) você sofre e sente muito, mas também cria a
coragem de fazer valer o tempo que ainda lhe resta.
E agora, segurando na mão de
Deus, caminhando como única responsável por mim, pelas contas pagas e pelo
que acontecer no caminho.
Não há mais tempo a perder,
o crescer chama. E você se lança no caminho que lhe parece o certo. Você segue
e não sabe se isso dará realmente certo, mas você está ali na sua própria
estrada.
É a hora do número solo.
