Trilha sonora: And I - Portugal The Man.
Ela esculpiu um padrão de
amor imaginário que ninguém era capaz de oferecer. Por mais que ela soubesse
que aqueles amores eram diferentes nos significados, ouvir um "eu te
amo" era como receber uma dose de morfina na veia.
Por muito tempo ela caminhou
sozinha aceitando e sobrevivendo com menos do que imaginava merecer. Vaca mesquinha. Era um
amorzinho confuso aqui, um amor escangalhado ali, um amor incompleto acolá. Amores.
Um coração em pedaços em
busca de um pouco de afeto.
Vítima das próprias
expectativas. Vítima da própria intensidade. Medo de viver uma vida inteira sem
ter com quem trocar amor, paz e sentimento. Medo de ficar só. Medo de não se
bastar para ser feliz. Medo.
Ela se entrega numa
velocidade alucinante e dá de cara com uma parede: "não tenho muito para te
oferecer. Só tenho isso".
Pegar ou largar?
Orgulho. Quero mais.
Preciso?
Não.
Quero?
Sim.
Amargando derrotas. Cansando
pretendentes. Sofrendo sem saber que a vida pode ser tão bonita se a leveza for
maior que o peso do significado das coisas.
Amor é amor, caralho. Pensa. Repensa. Foda-se.
Amor é amor, caralho. Pensa. Repensa. Foda-se.
Um amor disse assim:
"Vocês está muito ligada aos conceitos". Sim.
Esqueceu de viver o que é palpável
para questionar o invisível.
Um utópico amor padrão que
coração nenhum é obrigado a sentir.
Se esqueceu que pelo mundo
há milhares de outros corações perdidos também. Vagando, se esforçando para
sentir.
Se esqueceu que cada um ama do jeito que pode e sabe.
Não percebeu que dar o que
se tem é muito mais precioso do que não dar nada. Dar o pouco que se tem é melhor do
que não ter nada para dar.
Quando viu, era tarde. Já tinha se perdido outra vez.
