A estranheza de viver a eterna
sensação de que algo arrasador estar por vir. A iminência da não felicidade.
O
fim da vida sem a realização de algo magnífico além de somente ter existido no
mundo.
É assim que ela pensa. É assim
que são os dias. Frustrantes. Sem cor.
Como é possível se fazer tão
infeliz colocando na conta da vida e do mundo a responsabilidade de fazê-la
feliz?!
Vai saber. Vai saber por que ela
deita a cabeça no travesseiro de noite e deseja largar tudo e viajar o mundo
inteiro com uma mochila nas costas.
Vai saber por que essa garota
insiste em se entregar justo aos maus pensamentos na fila. Quem consegue
explicar por que pra ela parece tudo sempre estranho.
Uma festa. Um mundaréu de gente
estranha rodeando, com os mais perversos e tristes sentimentos que se possa ter
com um copo de álcool na mão. E todo esse mundo com o rosto feliz.
Um cigarro. Uma garganta
arranhada. Um dia de trabalho. Mais um dia de insatisfação. "Que Deus me
perdoe a ingratidão" ela pensa.
Mais uma aposta cega no jogo das ilusões
amorosas que ela criou. Está com medo. Medo de ficar só. É tanto pensamento que
se passa.
Ela pensa em morrer, mas também
pensa no que poderia perder ao partir. Pensa no que fazer. Parece tudo uma
perda de tempo eterna.
Coração quebrado no número 234.
E se viesse um bebê? Meu Deus. Ai
sim. Tudo ia realmente desabar.
O que fazer quando você é seu
próprio vilão. Quando você é o único personagem que bagunça a própria história.
Não existe a pílula da felicidade. Só na música da Norah Jones. É só uma canção.
Meu Deus.

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