segunda-feira, 1 de junho de 2015

A temporada do coração perdido




Trilha sonora: And I - Portugal The Man. 

Ela esculpiu um padrão de amor imaginário que ninguém era capaz de oferecer. Por mais que ela soubesse que aqueles amores eram diferentes nos significados, ouvir um "eu te amo" era como receber uma dose de morfina na veia.

Por muito tempo ela caminhou sozinha aceitando e sobrevivendo com menos do que imaginava merecer. Vaca mesquinha. Era um amorzinho confuso aqui, um amor escangalhado ali, um amor incompleto acolá. Amores. 

Um coração em pedaços em busca de um pouco de afeto. 

Vítima das próprias expectativas. Vítima da própria intensidade. Medo de viver uma vida inteira sem ter com quem trocar amor, paz e sentimento. Medo de ficar só. Medo de não se bastar para ser feliz. Medo.

Ela se entrega numa velocidade alucinante e dá de cara com uma parede: "não tenho muito para te oferecer. Só tenho isso".

Pegar ou largar?
Orgulho. Quero mais.
Preciso?
Não.
Quero?
Sim.

Amargando derrotas. Cansando pretendentes. Sofrendo sem saber que a vida pode ser tão bonita se a leveza for maior que o peso do significado das coisas.

Amor é amor, caralho. Pensa. Repensa. Foda-se.

Um amor disse assim: "Vocês está muito ligada aos conceitos". Sim.

Esqueceu de viver o que é palpável para questionar o invisível.

Um utópico amor padrão que coração nenhum é obrigado a sentir.

Se esqueceu que pelo mundo há milhares de outros corações perdidos também. Vagando, se esforçando para sentir.

Se esqueceu que cada um ama do jeito que pode e sabe.


Não percebeu que dar o que se tem é muito mais precioso do que não dar nada. Dar o pouco que se tem é melhor do que não ter nada para dar. 

Quando viu, era tarde. Já tinha se perdido outra vez. 

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