quinta-feira, 11 de julho de 2019
O vale
As ruas da cidade conhecem o drama da minha dor, como um caminho antigo no meio da escuridão.
Ando só, com o peito aberto e os olhos cerrados.
Tento tatear no meio da escuridão procurando o lugar exato em que me pedi de mim.
Eu deixo lágrimas quentes por onde passo. Marcam o chão por onde caminho, feito uma trilha antiga no meio da escuridão que eu conheço tão bem.
É o vale, o vale invocado por todas as coisas que atraio quando não acredito em mim, quando duvido de mim, quando não me enxergo, quando me distraio, quando me acovardo.
É o vale solitário que tento atravessar a cada derrota dos dias, pequenas e grandes. É o vale em que me coloco a caminhar desesperadamente procurando o lugar exato em que me deixei cair.
É o meu vale. Eu sou o vale. Eu me perco, eu me busco. Eu me culpo, eu me perdoo, eu me castigo, eu me absolvo.
Sou eu quem me ameaça e sou eu quem me protege. Sou eu quem me rasga em pedaços, sou eu quem me estilhaça. Sou eu quem junta os cacos e reconstrói minha face.
Eu, somente, sei onde pulsa a dor. Eu sei bem onde se esconde o punhal.
Eu é quem combate o eu que me parte ao meio. Me recomponho, me acredito, me salvo, me reconheço e me acendo a luz.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário