segunda-feira, 13 de abril de 2015

Fisgada


Há uma linha invisível que te puxa para baixo quando você flutua. Há uma linha chamada realidade que te fisga e te tira do ar. Te prende os pés no chão. Te acorrenta.

O céu te recebe e te joga de volta. Os fios da razão. Os fios da descrença no amor. Os fios do medo.

Um dia, desses que nunca se espera, vai amanhecer sem aviso. Em um tempo de águas paradas há sempre uma visita inesperada. Um beijo surpresa da vida, que vai te despertar para a luta contra os fios que te prendem, que te impedem de acreditar, de viver o sonho, de se entregar.

São os pequenos casos impensáveis da vida subestimada. São as pequenas felicidades de ver em acontecimentos aleatórios, pontos costurados entre si que constroem a sensação mais perfeita do "isso era para ser". E será, o que tiver de ser. Será o que escolher ser.

Arranca os fios. Abre os braço, abre o peito. Entra nesse rio, deixa ele te movimentar. Flutua no ar, deixa ser o que tiver que ser.

Deixa as águas seguirem o percurso, deixa de lado as ideias antiquadas de como tudo tem que ser. Esquece o medo de desatinar.

Abre os olhos, abre os braços. Beija a vida com fervor. Um beijo infinito. Um beijo livre. Já não há mais linha que te prenda.




(Texto escrito ao som de Carvel - John Frusciante)

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